TV fora do ar

Texto de Thássius Veloso dos blogs Memórias Fracas e Tecnoblog

Como estudante de Comunicação Social, eu me sinto na obrigação de acompanhar a mais variada gama de programas de televisão. É preciso ter tempo para (quase) tudo: séries, jornalísticos, documentários, programas de variedades, programas “para a família” etc. Menos novela, evidentemente, porque não tenho a menor paciência para isso, embora admire quem tenha. O que importa é que, num dos meus momentos de zapping pela tevê aberta brasileira, fui presenteado com o incrível momento em que uma subcelebridade tinha que dar notas de zero a dez para pessoas um tantinho (quase nada) mais famosas que ela.

O programa era o “Hoje Em Dia”, um matutino da TV Record que têm obtido bons pontos de audiência e incomodado a Globo. A subcelebridade em questão, um apresentador da emissora, dava as notas e depois as comentava. É claro que as notas dez foram logo reveladas ao público, enquanto que as notas piores e impregnadas de malícia ficaram para o final do quadro. Pois é, o problema é que o final do quadro não foi exibido.

Por incrível que pareça, em dado momento a transmissão foi interrompida. Mais ou menos assim: o diretor do programa pediu para que o convidado lesse um recado para as câmeras. Em seguida, sem mais nem menos, o “Hoje Em Dia” foi encerrado e começou o “Balanço Geral”, que é emissora da Record aqui no Rio de Janeiro. Em resumo, fiquei sem saber quais seriam as piores notas, justamente as com maior apelo junto à audiência por atiçar a curiosidade do telespectador.

A televisão brasileira levou anos para desenvolver o conceito de grade de programação, com horários bem definidos e certa tradição sobre que programas passam em que horários (o SBT de Silvio Santos não conta…). Parece que agora é preciso que as emissoras aprendam que não dá para deixar o telespectador, consumidor daquele produto televisivo, na mão. Assim como eu fiquei frustrado por não saber como o quadro do “Hoje Em Dia” terminou, aposto que outros espectadores tiveram a mesma sensação.

O problema não afeta somente programas de entretenimento. De vez em quando somos testemunhas de noticiários que prometem exibir determinada matéria, mas depois desistem de fazê-lo. Às vezes é necessário devido ao tempo corrido de um telejornal, mas parece-me que não deixa de ser um tipo de propaganda enganosa. Alguns jornais até pedem desculpas e avisam que a matéria será exibida no dia seguinte, mas outros se fazem de joão-sem-braço e não avisam absolutamente nada. Respeito ao telespectador para quê, não é mesmo?

Se a quantidade de pessoas que assistem televisão tem diminuído nos últimos anos, é preciso entender que uma pessoa que seja é fundamental para que a emissora continue a vender publicidade e, consequentemente, a existir. Manter esse desrespeito ao espectador não vai ajudar emissora alguma a ganhar pontos de audiência. Muito pelo contrário, vai justamente levá-la na direção oposta à do “caminho da liderança”.

Foto: Flickr do Sifter