Crítica: Guerra ao Terror

6 de Marco de 2010 por Pedro Cardoso

Guerra ao Terror

O filme Guerra ao Terror (The Hurt Locker) estreou no Brasil direto nas locadoras, sem que ninguém tomasse conhecimento. Quando o filme foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar de melhor filme, o marketing da distribuidora brasileira resolveu lançá-lo nos cinemas, em uma trapalhada história.

Antes de tudo, leia a sinopse oficial: “Para um grupo de soldados americanos, alguns dias os separam do retorno para casa. Um período relativamente curto, se não fosse por tantas ocorrências que transformassem esse fim de jornada em um verdadeiro inferno. As forças armadas precisam de especialistas não só nos campos de combate mas também no dia a dia, na proteção do grupo contra insurgentes que promovem atentados, matando milhares de cidadãos. Conheça a dura realidade destes soldados e descubra que, ao contrário do que todos eles pensam, a luta jamais terminará”.

Preciso dizer que eu esperava um filme mais focado no drama e nas consequência de uma guerra, mas me surpreendi ao ver que o filme tem ação o tempo todo. Guerra ao Terror foi dirigido por Kathryn Bigelow (ex-esposa de James Cameron) e se apresenta como um bom filme de guerra, com cenas e situações mais próximas da realidade, do que outros filmes do gênero. Destaque para a cena bem retratada do combate entre dois snipers em um deserto qualquer do Iraque.

O ator Jeremy Renner é o protagonista deste filme, e desempenha muito bem o seu papel ao interpretar o William James, soldado designado para o esquadrão de bombas, e que é viciado na adrenalina provocada pela guerra. Renner faz um personagem forte e crível, mas não é nenhum show de interpretação. Além de Jeremy Renner, o filme tem a participação rápida de outros atores e atrizes conhecidos do grande público como Ralph Fiennes, Guy Pierce e a Evangeline “Kate de Lost” Lilly, como Connie James, esposa do protagonista.

Guerra ao Terror é um bom filme que merecia ter ido para as salas de cinema logo no seu lançamento mas, sinceramente, não achei que merece toda essa badalação. Há um certo exagero nessas indicações aos grandes prêmios do cinema. Enfim, valeu a pena pagar o ingresso, mas só porque eu sou fã desse gênero.

The Hurt Locker

Crítica: Zumbilândia

31 de Janeiro de 2010 por Pedro Cardoso

Zumbilândia

O filme Zumbilândia, da Columbia Pictures, estreou neste dia 29 de janeiro nos cinemas do Brasil, depois de dois meses de estreia nos EUA. O longa mistura um cenário de apocalipse Zumbi com humor.

Leia antes a sinopse oficial: “Misto de terror e comédia, o longa mostra a história de alguns sobreviventes que tentam sobreviver em um mundo infestado de zumbis sedentos de sangue. Columbus costuma fugir de tudo aquilo que o assusta. Tallahassee não tem medo de nada. No mundo repleto de zumbis, os dois são a dupla perfeita de sobreviventes. Mas agora eles vão ter de se encarar”.

Zumbilândia conta a história de quatro sobreviventes de um holocausto zumbi em uma road trip pelos Estados Unidos. As ações são narradas por Columbus (Jesse Eisenberg), tendo como fio condutor a sua lista de regras para sobreviver em um ambiente dominado por esses mortos-vivos, que é revisitada ou atualizada a todo instante no filme. Ao contrário do que pode parecer, isso não torna o filme repetitivo e enfadonho. Muito pelo contrário, pois o diretor Ruben Fleischer caprichou no dinamismo.

Zumbilândia

O filme não explica porque e nem como houve a epidemia que transformou a humanidade em zumbis, e é assim que deve ser. Quando for ao cinema, tenha em mente que você verá uma comédia de ação, que pode agradar também àqueles que gostam de filmes de zumbi contemporâneo.

O ritmo do filme está muito bem equilibrado, bem como o tempo de projeção, nem grande e nem pequeno. A dinâmica entre os atores está em boa sintonia, sendo que Woody Harrelson, de novo, desempenha muito bem o seu papel. E como um plus, ainda tem uma ótima e surpreendente participação de Bill Murray.

Por ser uma comédia, Zumbilândia é um filme mais leve que as produções tradicionais do gênero, sempre mostrando uma perspectiva otimista no meio de todo este caos. Porém, a produção não polpou no aspecto gore em suas cenas. Finalizando, o filme cumpre o que promete.

Crítica: Batman – Cacofonia

21 de Novembro de 2009 por Pedro Cardoso

Batman

A Panini Comics lançou neste mês de novembro a edição especial “Batman: Cacofonia”, escrita por Kevin Smith, pelo preço de R$ 7,50. O que eu achei? Bom, a revista não é um “clássico” instantâneo como a editora tenta vender.

Em Cacofonia, Batman enfrenta o vilão Onomatopeia, que é natural de Star City, lar do Arqueiro Verde. Esse cara tem como única motivação caçar e assassinar super-heróis sem poderes. Tudo bem que o personagem não tem o carisma de outros vilões do Batman, mas, daria uma boa história na mão de um bom escritor.

Mas Kevin Smith, que não é ruim, preferiu continuar no lugar comum e incluir mais uma vez o Coringa e aquela problemática de que ele seria a outra metade da moeda do Batman. Colocando de novo aqueles diálogos de “você não vive sem mim e nem eu sem você”. Não inovou em absolutamente nada.

Além disso, peca por conter em exagero aquele humor com apelo sexual. No final das contas, essa edição especial (lançada em três edições nos EUA), poderia ter sido publicada como um arco qualquer dentro de qualquer revista mensal do Batman.

Não gosto do Kevin Smith como diretor e roteirista de filmes, acho suas produções um saco. Mas como minha opinião não vale de nada no mundo do entretenimento, este cara é supervalorizado por esses filmes e tratado como gênio por alguns nerds. Repito, o roteiro não é ruim, só é comum demais para tanto alarde.

Crítica: 2012

5 de Novembro de 2009 por Pedro Cardoso

2012

Quando você é fã de filmes catástrofes, você vai ao cinema esperando o máximo de absurdos possíveis, você tenta imaginar o que se passou pela cabeça do diretor ao criar a história. Mas nada, nem o trailer, te prepara para esta produção. Roland Emmerich (diretor e escritor) pegou os grandes desastres e elevou a enésima potência em “2012″, que estreia mundialmente no dia 13 de novembro.

Confira a sinopse: “Em 2012, quando desastres naturais começam a destruir a Terra, pesquisador acadêmico lidera um grupo de pessoas numa luta para evitar esses eventos apocalípticos que foram previstos num antigo calendário dos povos Maias e que pode culminar com o fim da civilização”.

Preciso ter cuidado ao escrever a resenha de “2012″ pois sou muito fã desse tipo de filme, e as pessoas que não curtem um cinemão catástrofe podem não gostar. A verdade é, mesmo gostando muito do filme, preciso destacar os pontos negativos.

O filme começa frenético, apresentando os personagens e situações chaves para o entendimento do enredo no final, de forma rápida, sem frescura. Se desenrola até o ponto que começam as tragédias, e aí não para mais. O diretor Roland Emmerich exagerou ao inserir muitas cenas que não acrescentam nada a trama, apenas para mostrar várias formas de destruir a Terra, monumentos históricos da humanidade (sim, o Cristo Redentor está lá) e pessoas sofrendo. Desnecessário, pois em dado momento do filme, já sabemos do que as forças da natureza são capazes, com isso, você fica com aquela sensação de que várias cenas estão ali apenas para encher linguíça.

2012

Isso torna o filme muito longo. Várias cenas se repetem, principalmente com avião fugindo de algum fenômeno da natureza, de vários tipos, só faltou mesmo escapar de um dinossauro gigante ou algo assim. Depois que verem o filme, vão entender o que eu digo.

Preciso dizer também que a “fórmula de bolo” é a mesma usada em vários outros filmes do Emmerich, como “O Dia Depois de Amanhã”, “Independe Day” e outros. Todos os elementos estão presentes, e nada foi inovador. Um cientista desconhecido faz uma descoberta incrível, o assunto chega até o presidente dos EUA (vivido aqui por Danny Glover), e um pai comum tenta salvar sua família a qualquer custo.

O ator Woody Harrelson está fantástico como o malucão Charlie Frost e rouba a cena. Já John Cusack (Jackson Curtis) foi bem, mas não se destacou muito não, talvez por causa do fato de ele, apesar de ser o principal personagem, não é o cientista central da trama (primordial nos filmes do Emmerich), e sim apenas o cara que salva sua família. O filme ainda conta no elenco com Thandie Newton, Amanda Peet, Oliver Platt e outros.

Eu não preciso falar isso, mas vou dizer assim mesmo, porque sou teimoso: “2012″ é cinemão, blockbuster total. Tenha isso em mente quando for ao cinema. Mas se você é daquelas pessoas que gostam de procurar questões filosóficas em tudo que vê, que gosta de enredo bem feito, que acha que filme foi feito para educar e acrescentar algo a sua vida, fique em casa. Do contrário, recomendo muito. Até porque os efeitos visuais estão fantásticos, e para apreciar em plenitude, é preciso ver na telona do cinema.

Agora, pensem comigo, já teve mudança brusca do clima, invasão alienígena, asteroide vindo em colisão com a Terra, pragas, doenças e muito mais. Que tipo de catástrofe falta acontecer com a humanidade, esse povo tão sofrido? Não consigo pensar em mais nada depois de “2012″. Ah sim, Cthulhu, talvez?

Crítica: V – episódio piloto

4 de Novembro de 2009 por Pedro Cardoso

V

A indústria do entretenimento descobriu o Rio de Janeiro, e agora, toda e qualquer catástrofe vai assolar a nossa cidade. Neste dia 3 de novembro, estreou nos EUA a série “V”, que é um remake de uma minissérie dos anos 80 (que depois virou série). A imagem acima é um dos seis pôsteres promocionais da série (confira todos os outros), divulgados pela ABC.

A série “V” mostra uma raça de alienígenas super avançada chegando à Terra, prometendo paz, cura para as doenças e trocas de experiências científicas, culturais e tecnológicas. Mas logo, percebemos que suas intenções no nosso planeta não são nada nobres.

Assisti ao piloto e digo que fiquei interessado em acompanhar a série, mas não criou nenhum efeito “UAU” em mim, como fazem semanalmente FlashForward, Lost ou Dexter. Este primeiro episódio mostrou os “visitantes” chegando à Terra, posicionando suas naves gigantescas em 29 capitais pelo mundo, e sua ações para tentar conquistar a confiança da população.

Vemos também os conflitos religiosos, o papel da imprensa (mídia) e, no final do episódio, vemos como cada personagem do elenco principal tomará sua parte na trama daqui pra frente. Todos os elemenos de uma “invasão alienígena” estão em destaque, só senti falta de uma maior participação militar nessa equação, mas agradeço por não ter visto a cara do presidente dos EUA, como é costume.

É claro, a principal personagem é uma agente do FBI, Erica Evans (Elizabeth Mitchell – Lost), para não fugir do lugar comum. Porém, com a ausência da figura do presidente, e daquelas famosas cúpulas de emergências em caso de crise, “V” passou a impressão de que realmente este é um problema para a humanidade, e não apenas para o governo estadunidense.

Bom, vale deixar claro que este é apenas o primeiro episódio, e muita coisa ainda pode acontecer. Mas até agora, o que foi apresentado, é que o conflito será entre pessoas. Não posso falar mais sem Spoiler. A série “V” tem a mesma produção executiva de “The 4400″ e ainda não tem data de estreia no Brasil.

Crítica: X-Men e Homem-Aranha

30 de Outubro de 2009 por Pedro Cardoso

Kraven

A ideia parecia boa, colocar dois ícones da Marvel em uma minisserie, e mostrar como as vidas dos integrantes dos X-Men e do Homem-Aranha estariam interligadas ao longo da vida. Mas o que eu li, não me agradou. As revistas foram lançadas em duas edições (agosto e setembro de 2009), pela Panini Comics, com o preço de R$ 6,50 cada.

A minisserie mostra vários encontros desses personagens, desde a primeira turma dos X-Men até os dias atuais. O fio condutor desta trama são as tramoias de Sinistro, com a ajuda de Kraven (para quem não conhece, o carinha da imagem acima).

Essa boa premissa foi detonada por um roteiro fraco de Christos Cage. A cada passagem de tempo, havia um novo encontro onde tudo que acontecia era a descoberta de uma nova pista da grande trama de Sinistro, rápido diálogo entre os personagens para decidir o que fazer e a aparição de algum vilão para caírem na porrada, como Blob ou Carnificina. Isso em looping até o fim da revista.

A arte de Mario Alberti também não me agrada, parece que é feita correndo, com pressa. A colorização também não ajudou no resultado final, pois deixou alguns quadros tão escuros que é difícil entender a cena. Aí eu não sei dizer se a culpa é da arte original ou da gráfica aqui no Brasil.

Pelo menos fica o saudosismo ao revermos uniformes clássicos dessa galera, e revisitarmos épocas quando as histórias em quadrinhos eram mais inocentes e menos complicada de se acompanhar. E quando digo “complicada”, não falo nos roteiros, mas sim nas inúmeras revistas caça-níquel que são lançadas para contar apenas uma história.

Bom, caso queira comprá-la assim mesmo, você pode encontrá-la facilmente em sebos, lojas especializadas ou até mesmo em algumas bancas de revistas do Rio de Janeiro e São Paulo (não sei nas outras cidades). E você que já leu, o que achou?

Crítica: Distrito 9

15 de Outubro de 2009 por Pedro Cardoso

Distrito 9

Quando anunciaram “Distrito 9″ (District 9) e começaram a surgir os primeiros trailers, criou-se uma expectativa enorme em cima dele, inclusive em mim. Mas vou te falar, antes mesmo de iniciar essa crítica, que o filme não me agradou. Assista ao trailer.

Vou explicar porque, mas antes, leia a sinopse oficial: “Os alienígenas chegam à Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o “Distrito 9″, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como “matéria-prima” as defesas naturais dos extraterrestres”.

Quando escrevi o post dos filmes mais aguardados do segundo semestre de 2009, apontei este como um dos mais esperados por mim, inclusive, selecionando uma imagem de divulgação dele para ilustrar o artigo. Que decepção.

O filme sempre foi apresentado como um documentário “fake”, o que é uma maneira bem interessante de contar uma ficção científica. E é assim que ele começa, tentando mostrar uma perspectiva bem real do que aconteceria numa situação dessa. Porém, logo aparece o personagem principal Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) que, todo atrapalhado, dá um toque de humor à tensão política e social apresentada na trama. Então você pensa por alguns minutos: “bacana, vai ser um filme com momentos de humor, leve”.

Distrito 9

De repente, “Distrito 9″ toma a forma de uma ficção científica ordinária, e o tom sério enfim toma conta da projeção. Seguindo em frente, o filme toma outra forma, de uma ação desenfreada, até chegar a níveis absurdos (foi a melhor definição que achei), no seu clímax.

No fim, parece que “lembraram” da proposta de ser um “documentário” e retomaram essa narrativa nos minutos finais, para terminar o filme sem nenhum sentido. E quando falo sem nenhum sentido, não é apenas aquela estratégia muito usada para deixar margem a uma continuação. Ele termina de forma escrota, mesmo.

Concluindo, é um filme que não se decidiu sobre a forma que  ele queria ser apresentado. Eles pegaram uma premissa super inteligente, envolvendo questões como apartheid e tudo mais, para em seguida transformar tudo num sci-fi pervertido e insano. Tenho certeza que eu iria gostar dele, se eles tivessem escolhido apenas um dos elementos do filme e implementado do começo ao fim, seja a ação, o “documentário”, ou até mesmo o humor. Mas como ficou tudo junto e misturado, não recomendo.