
Na grande maioria das transposições de mídias, quando ela ocorre, boa parte de tudo aquilo que torna um filme, um game ou um livro únicos se perde. Isso acontece quando um filme resolve se aventurar em forma de game. Ou quando um grande Best seller literário resolve tomar forma visual como película de cinema.
Se você curtiu cinema nos anos 80 e 90, provavelmente é um grande fã dos Caça Fantasmas e provavelmente, ao jogar o recente The Ghostbuster – The Vídeo Game, não sofrerá desse problema. Quer dizer, o filme não está ali e nem de longe o game é impecável, mas podemos respirar aliviados ao ver, que depois de 9 horas controlando um dos caçadores de assombrações, tudo que o tornou clássico, Cult e inesquecível, felizmente ainda esta lá.
Para começar, não iremos detalhar a história do jogo, evitando spoilers desnecessários, mas saiba que o quarteto que forma os Caça Fantasmas agora tem um novo membro: Você. Pra evitar que a atenção fosse dada de maneira desigual a apenas um dos personagens que fosse controlado na aventura, a desenvolvedora teve uma acertada decisão de incluir um novato no time, que é onde você entra. Sem nome, sem apegos emocionais nostálgicos e sem abrir a boca do começo ao fim, você se sente parte da equipe, mas inconscientemente, não rouba os holofotes do quarteto clássico visto no cinema.
Os gráficos estão acima da média com construções bem definidas e muitos itens destrutíveis pelo caminho, fazendo a alegria da sua arma de Prótons, que pode ser usada pra causar o máximo de danos aos locais, para que você receba isso em dinheiro mais tarde, devido a um “seguro caça-fantasma” que a prefeitura de Manhattan criou pra manter a cidade livre dos fantasmas e ao mesmo tempo manter ela inteira.
A iluminação também se mostra fantástica, já que os jorros de energia que brotam de sua arma iluminam todo o ambiente e os inimigos de forma dinâmica, sem contar as belas explosões que causam. O único revés em seu quesito gráfico fica para a modelagem dos personagens. Apesar de serem magníficas e extremamente fiéis aos atores de carne e osso, uma aparência plástica foi conferida às texturas que por vezes, principalmente nos closes dos CGs, deixam todos com uma aura artificial ou com cara de bonecos de borracha, o que acaba um pouco com a magia do envolvimento no game.
Já no quesito sonoro o game é quase irrepreensível. Os dubladores originais dos devidos personagens estão de volta, conferindo a cada um uma personalidade única e diálogos, que tal qual o filme, são impagáveis e estão repletos de piadas ácidas e humor inteligente com a ajuda de um bom roteiro. Desde as músicas que rolam durante o menu até as músicas que embalam suas caçadas, bem como as explosões e sons de cada inimigo ao te atacar ou ao explodir numa nuvem de ectoplasma colorido, os efeitos fazem o seu papel e se destacam. Ligue o home theater no volume máximo sem medo de ser feliz.
Sem medo de honrar o grande clássico do cinema, The Ghostbuster : The Vídeo Game mostra como adaptar um jogo do cinema, mesmo depois de tanto tempo, e fazê-lo soar genuíno e divertido. A decisão da Activision Blizzard de abrir mão do game, e quase mandá-lo ao limbo, se mostrou errada e que o game poderia ter futuro, como apostado pela Atari, não para apenas ser um grande sucesso memorável, mas para talvez garantir uma continuação e dar seguimento a popularidade dos personagens se não no cinema, de forma mais divertida e interativa no universo dos videogames. Vale a compra e definitivamente não decepciona.

Texto escrito por Dimitri Robles da e-Zone Online