Kick-Ass

Escrito por Bernardo Cury, o Mallandrox dos Melhores do Mundo

Ao se deparar com a publicação nacional de “Kick Ass – Quebrando Tudo”, você imagina que se trata de uma HQ única. Afinal, um encadernado em capa dura, com roteiros dos experientes Mark Millar e John Romita Jr. e um preço nada convidativo de R$ 60,00, você imagina que só algo revolucionário (ou marcante para a nona arte) justifica essa estratégia editorial.

Pois bem! “Kick Ass” não é revolucionário! Não é uma nova vertente nas histórias em quadrinhos! E não é imperdível! O que não significa que seja ruim…

“Kick Ass – Quebrando Tudo” no início tenta apresentar algo que o roteirista o denominava como “único”: o que aconteceria se um garoto do mundo real resolvesse colocar uma roupa de mergulho e sair dando bordoada nos bandidos da região? A premissa interessante se mostrou fiel até certa parte de “Kick Ass”, principalmente como vemos que esse negócio de salvar o mundo é uma ideia bastante perigosa (para não dizer idiota).

Hit Girl

Mas ela se transforma da água para o vinho quando nos apresentam a pequena e carismática Hit Girl, uma garotinha de 9 anos que consegue usar espadas e armas de fogo como uma profissional. A partir daí, Kick Ass se torna um coadjuvante das peripécias impossíveis da jovem. Dá para entender que o “mundo real” de “Kick Ass” não é tão real assim, e que Kick Ass só é o bucha que é, porque não teve o treinamento necessário (como o Batman… Quero dizer, como a Hit Gil).

Apesar da premissa de “realidade” ser jogada pela janela, a HQ se torna muito mais divertida! Não tem como não se impressionar e torcer pela Hit Girl, pois o que ela tem de fofinha, tem de casca-grossa! E apesar dos clichês na trama, você acaba automaticamente pensando “ah! É quadrinhos de super-heróis! O que você esperava?”.

No final, com o desfecho da história da pequena Hit Girl, o roteiro tenta voltar a “realidade normal” das coisas, dando um desfecho bastante triste, mas consequentemente real! E ainda em aberto, especialidade de Millar, por causa das já anunciadas continuações.

Isso deixa um gosto ruim na boca ao terminar a leitura. Só não se sabe se é pelo final depressivo ou se é pelo preço salgado que você pagou por mera HQ divertida de super-heróis.

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