Do desrespeito com o telespectador
19 de Julho de 2009 por Convidado
Texto de Thássius Veloso dos blogs Memórias Fracas e Tecnoblog
Como estudante de Comunicação Social, eu me sinto na obrigação de acompanhar a mais variada gama de programas de televisão. É preciso ter tempo para (quase) tudo: séries, jornalísticos, documentários, programas de variedades, programas “para a família” etc. Menos novela, evidentemente, porque não tenho a menor paciência para isso, embora admire quem tenha. O que importa é que, num dos meus momentos de zapping pela tevê aberta brasileira, fui presenteado com o incrível momento em que uma subcelebridade tinha que dar notas de zero a dez para pessoas um tantinho (quase nada) mais famosas que ela.
O programa era o “Hoje Em Dia”, um matutino da TV Record que têm obtido bons pontos de audiência e incomodado a Globo. A subcelebridade em questão, um apresentador da emissora, dava as notas e depois as comentava. É claro que as notas dez foram logo reveladas ao público, enquanto que as notas piores e impregnadas de malícia ficaram para o final do quadro. Pois é, o problema é que o final do quadro não foi exibido.
Por incrível que pareça, em dado momento a transmissão foi interrompida. Mais ou menos assim: o diretor do programa pediu para que o convidado lesse um recado para as câmeras. Em seguida, sem mais nem menos, o “Hoje Em Dia” foi encerrado e começou o “Balanço Geral”, que é emissora da Record aqui no Rio de Janeiro. Em resumo, fiquei sem saber quais seriam as piores notas, justamente as com maior apelo junto à audiência por atiçar a curiosidade do telespectador.
A televisão brasileira levou anos para desenvolver o conceito de grade de programação, com horários bem definidos e certa tradição sobre que programas passam em que horários (o SBT de Silvio Santos não conta…). Parece que agora é preciso que as emissoras aprendam que não dá para deixar o telespectador, consumidor daquele produto televisivo, na mão. Assim como eu fiquei frustrado por não saber como o quadro do “Hoje Em Dia” terminou, aposto que outros espectadores tiveram a mesma sensação.
O problema não afeta somente programas de entretenimento. De vez em quando somos testemunhas de noticiários que prometem exibir determinada matéria, mas depois desistem de fazê-lo. Às vezes é necessário devido ao tempo corrido de um telejornal, mas parece-me que não deixa de ser um tipo de propaganda enganosa. Alguns jornais até pedem desculpas e avisam que a matéria será exibida no dia seguinte, mas outros se fazem de joão-sem-braço e não avisam absolutamente nada. Respeito ao telespectador para quê, não é mesmo?
Se a quantidade de pessoas que assistem televisão tem diminuído nos últimos anos, é preciso entender que uma pessoa que seja é fundamental para que a emissora continue a vender publicidade e, consequentemente, a existir. Manter esse desrespeito ao espectador não vai ajudar emissora alguma a ganhar pontos de audiência. Muito pelo contrário, vai justamente levá-la na direção oposta à do “caminho da liderança”.
Foto: Flickr do Sifter
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19 de Julho de 2009 às 6:15 pm
É por essas e outras razões que, cada vez menos eu vejo televisão. Eu critico muito a Globo, mas ela não tem esse tipo de atitude.
Ótimo texto.
19 de Julho de 2009 às 7:29 pm
Rapaz… tente assistir Cavaleiros do Zodíaco na Band da região de Ribeirão Preto, naquele soco decisivo do Seya o programa é interrompido e entra um tal de A+… um programinha terceirizado que chega invadindo a programação matutina dos finais de semana sem mais nem menos. Nos últimos anos não só o meu como o tempo livre de muitas pessoas foi realocado quase que totalmente para a Internet.
19 de Julho de 2009 às 8:09 pm
O apresentador era o inominável Geraldo Luis? Aqui em São Paulo, como não tem mais o ‘Balanço Geral’ (que era comando por ele), foram exibidos os comentários dispensáveis dele. Fique tranquilo, você não perdeu nada.
Infelizmente, o desrespeito não é exclusividade da TV aberta. Mudanças repentinas de horário, programas interrompidos e outros problemas acontecem até com os clientes que pagam (e não é pouco) para uma operadora de TV por assinatura.
Em meados da década de 90, os canais de séries, por exemplo, eram excelentes. As atrações iam ao ar com poucas semanas de atraso em relação a exibição norte-americana. Os episódios passavam na sequência correta. As legendas não apresentavam problemas de português ou caracteres truncados. Nem costumavam sumir repentinamente. Os anos passaram e, infelizmente, a teoria da evolução não se aplicou à maioria dos canais pagos.
A TV aberta tem problemas, é verdade. Concorco contigo. A programação diurna é sofrível. Salvo raríssimas exceções, temos apenas programas repetitivos, filmes entediantes e telebarracos.
O ‘Hoje em Dia’ é um bom exemplo. Péssimo. O conceito de programa jornalístico e de variedades, importado dos Estados Unidos (’Today’, ‘Goog Morning America’), é interessante. Começou bem na Record. Mas, com o tempo, foi descambando para gincanas estúpidas (o que tem na mala de um, na bolsa da outra etc.), exploração sensacionalista de fatos cotidianos e presença de subcelebridades.
Se a programação diurna deixa a desejar, de uns tempos para cá há grande avanço na programação noturna. Variedade de telejornais, reality shows interessantes (’Esquadrão da Moda’, ‘Supernanny’, ‘10 Anos + Jovem’, ‘E24′, ‘Profissão Repórter’), novelas (algumas boas, outras não, mas o telespectador tem opção), séries nacionais (’A Grande Família’, ‘Toma Lá Dá Cá’, ‘Força-Tarefa’, ‘Som & Fúria’, ‘Aline’, ‘Descolados’) e norte-americanas (’CSI’ e suas franquias, ‘House’, ‘Ugly Betty’, ‘Grey’s Anatomy’, ‘), bons humorísticos (’CQC’, ‘Pânico na TV’, ‘Furo MTV’, ‘15 Minutos’, ‘Furfles MTV’) e outros (’Gordo Visita’, ‘Show do Milhão’).
Há o que melhorar? Claro. Sempre! Mas a TV aberta está longe de ser desprezível como muitos dizem. Dependendo do dia e horário, até dificuldade em escolher o que ver.
20 de Julho de 2009 às 9:23 am
A TV aberta realmente é uma mar de desrespeito. Todos os anos a poderosa Rede Globo anuncia centenas de filmes que nunca passam. Início de ano e sempre assim. Cheguei a contar durante uns 3 anos seguidos e anotar quantos filmes REALMENTE ela exibiu, em torno de 30% do que anunciava!
20 de Julho de 2009 às 10:33 am
Esse formato de corte de programa pra horários locais sempre tem esses risco. Tanto que a Globo está abandonando este formato no último programa da sua rede que ainda o usa, o Globo Esporte.
Aos poucos as afiliadas estão deixando de fazer o primeiro bloco do GE com notícias locais e fazendo isso em programas separados, antes do Praça TV. Assim está acontecendo com o EPTV Esporte e o TEM Esporte por exemplo.
23 de Julho de 2009 às 11:02 am
[...] o telespectador. Convidado para escrever no Receita do Sucesso, o blogueiro Thássius Veloso relata uma desagradável experiência com a atração matutina da [...]
23 de Julho de 2009 às 2:42 pm
Algumas emissoras tem este péssimo hábito de “cortar” os programas para algumas cidades para poder exibir programação local, o que eu acho um absurdo. O “Estrelas” um bom programa da Rede Globo, não é exibido para todas as afiliadas da emissora. Resumindo, não dá pra entender o porque destas diferentes atitudes. Acho que ao invés de atrair mais telespectadores, acho que só afasta. Uma pena.
23 de Julho de 2009 às 8:03 pm
realmente o que se vê nas emissoras nacionais é deprimente. não vou julgar os canais pagos, pq não tenho tv paga em casa, mas qnto ao que tenho acesso, sim… sou usuário da madrugada, meu único horário livre pra TENTAR ver algo que preste!
no mais, vale dizer que conversando com um amigo que mora em Portugal, ele me disse o seguinte: eu reclamava da programação da tv brasileira, mas a coisa aqui na Europa é muito pior!
vai entender…
24 de Julho de 2009 às 4:04 pm
[...] Do desrespeito com o telespectador – Receita do Sucesso [...]