
Apesar de morar no Rio de Janeiro, é com certa tristeza que vejo o cancelamento do tradicional Encontro Internacional de RPG (EIRPG), em São Paulo, que iria para a sua 17ª edição. A Devir alega falta de público, que já vinha diminuindo nas edições anteriores. Será este um dos sinais do fim da cultura RPG no Brasil?
Em post publicado no blog Dot 20, e reproduzido no Jovem Nerd, Tiago Lobo afirma que essa notícia tem a ver com problemas internos da Devir, e que não deve ser entendido como indício de uma “crise generalizada no mercado de RPG”. Eu devo discordar, essa “crise” existe e não é de hoje.
Lembro de minha época de adolescente, até o começo da vida adulta, quando eu jogava RPG com meus amigos e colegas de escola. Depois de um tempo, o interesse da nossa turma foi caindo e o grupo foi se desfazendo. Deste modo, a última vez que joguei RPG foi em 2001, pois nunca encontrei um grupo unido e interessado em jogar como naquela época.
O RPG sempre foi um jogo de nicho, muito ligado ao público conhecido como “nerd”, aquele que lê quadrinhos, livros de ficção científica e tudo mais. Porém, tinha uma época que esta cultura era mais difundida, e era comum eventos com grande público (para os padrões), como o RPG Rio e a Comic Mania, por exemplo. Aqui no Rio de Janeiro tais eventos não existem mais, as lojas especializadas são cada vez mais raras. É só andar pela Tijuca, onde tinham 5 lojas com artigos para rpgistas e afins, e vejam quantas ainda estão l. Existia até um programa na TV Record que falava desses assuntos, aos domingos.
Obviamente que não quero justificar uma crise com apenas a minha experiência, mas esse tipo de notícia faz a gente pensar. Por que caiu tanto o interesse pelo RPG até mesmo entre o público que consumia este tipo de produto? A culpa é da internet? Da grande mídia que fez um trabalho difamatório forte associando o jogo ao satanismo? Da invasão Anime e da cultura oriental que toma conta dos novos eventos e desvia a atenção dos patrocinadores? Alguém tem outra ideia? Realmente eu não tenho resposta para isso.
Só sei que, realmente fico triste com isso. Pois o RPG é um dos passatempos mais saudáveis que conheço, pois, estimula a leitura, a imaginação, o raciocínio lógico e, em alguns casos, até mesmo ajuda as pessoas a se socializarem e diminuir sua inibição, a partir do momento em que, no RPG, você interpreta um personagem, e se reúne com os amigos numa mesa (ou qualquer lugar que achar confortável, não importa).
Em meio a isso tudo, há a promessa do lançamento de D&D 4ª Edição no dia 23 de maio, aqui no Brasil, em português. Este livro já foi lançado nos EUA, e possui regras que aproximam o jogo de papel aos MMORPG, populares mundialmente, tornando as regras mais fáceis e dinâmicas. Uma medida que certamente visa atrair a nova geração para este tradicional passatempo que foi criado lá na década de 1970. O que prova que o desinteresse do público jovem não é uma exclusividade do Brasil.