É o fim da cultura RPG no Brasil?
11 de May de 2009 por Pedro Cardoso
Apesar de morar no Rio de Janeiro, é com certa tristeza que vejo o cancelamento do tradicional Encontro Internacional de RPG (EIRPG), em São Paulo, que iria para a sua 17ª edição. A Devir alega falta de público, que já vinha diminuindo nas edições anteriores. Será este um dos sinais do fim da cultura RPG no Brasil?
Em post publicado no blog Dot 20, e reproduzido no Jovem Nerd, Tiago Lobo afirma que essa notícia tem a ver com problemas internos da Devir, e que não deve ser entendido como indício de uma “crise generalizada no mercado de RPG”. Eu devo discordar, essa “crise” existe e não é de hoje.
Lembro de minha época de adolescente, até o começo da vida adulta, quando eu jogava RPG com meus amigos e colegas de escola. Depois de um tempo, o interesse da nossa turma foi caindo e o grupo foi se desfazendo. Deste modo, a última vez que joguei RPG foi em 2001, pois nunca encontrei um grupo unido e interessado em jogar como naquela época.
O RPG sempre foi um jogo de nicho, muito ligado ao público conhecido como “nerd”, aquele que lê quadrinhos, livros de ficção científica e tudo mais. Porém, tinha uma época que esta cultura era mais difundida, e era comum eventos com grande público (para os padrões), como o RPG Rio e a Comic Mania, por exemplo. Aqui no Rio de Janeiro tais eventos não existem mais, as lojas especializadas são cada vez mais raras. É só andar pela Tijuca, onde tinham 5 lojas com artigos para rpgistas e afins, e vejam quantas ainda estão l. Existia até um programa na TV Record que falava desses assuntos, aos domingos.
Obviamente que não quero justificar uma crise com apenas a minha experiência, mas esse tipo de notícia faz a gente pensar. Por que caiu tanto o interesse pelo RPG até mesmo entre o público que consumia este tipo de produto? A culpa é da internet? Da grande mídia que fez um trabalho difamatório forte associando o jogo ao satanismo? Da invasão Anime e da cultura oriental que toma conta dos novos eventos e desvia a atenção dos patrocinadores? Alguém tem outra ideia? Realmente eu não tenho resposta para isso.
Só sei que, realmente fico triste com isso. Pois o RPG é um dos passatempos mais saudáveis que conheço, pois, estimula a leitura, a imaginação, o raciocínio lógico e, em alguns casos, até mesmo ajuda as pessoas a se socializarem e diminuir sua inibição, a partir do momento em que, no RPG, você interpreta um personagem, e se reúne com os amigos numa mesa (ou qualquer lugar que achar confortável, não importa).
Em meio a isso tudo, há a promessa do lançamento de D&D 4ª Edição no dia 23 de maio, aqui no Brasil, em português. Este livro já foi lançado nos EUA, e possui regras que aproximam o jogo de papel aos MMORPG, populares mundialmente, tornando as regras mais fáceis e dinâmicas. Uma medida que certamente visa atrair a nova geração para este tradicional passatempo que foi criado lá na década de 1970. O que prova que o desinteresse do público jovem não é uma exclusividade do Brasil.
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11 de May de 2009 às 8:55 pm
Eu nunk joguei RPG, até tenho curiosidade. Estudei sobre os possíveis usos dos RPGs e dos TCGs aplicados na educação e me interessei em experimentar, mas só encontrei aqui no RJ antigos jogadores q sabiam me citar vários pontos de encontros antigos de jogadores, mas q não funcionavam mais justamente pela falta de público. Fiquei na curiosidade hehehe.
Se este fenômeno de extinção do RPG estiver ocorrendo msm tb acho uma lástima. msm nunk tendo jogado, o q conheci do jogo não é nada menos do q o jogo saudável citado neste post, mas talvez seja somente uma falha na transmissão da prática para a nova geração, pois os antigos jogadores eu acho normal irem parando a medida q vão entrando na fase adulta, ñ pela conotação de já ter passado da idade, mas pelos compromissos e responsabilidades q inviabilizam um pouco a dedicação de tempo exigida pelos jogos mais longos de RPG q podem durar dias, meses e até anos pelo q li.
Talvez mtos dos jovens de hj em dia nunk tenham ouvido falar do RPG de mesa, do tradicional jogo de interpretação. Eu mesmo conheci esta modalidade há uns dois ou três anos no máximo. Como combater a extinção do RPG, se é q ela existe, eu não sei, mas q eu ñ compreendo esta prática tão rica para a formação dos jovens ser tão desconhecida e de nicho, ah eu ñ compreendo e fiquei curioso e motivado a buscar mais informações sobre este fenômeno.
Talvez possamos movimentar algum evento neste lançamento do DD4 pelo twitter, na blogosfera, no orkut etc pra tentar divulgar e pelo menos fazer chegar ao conhecimento desta nova geração dos MMORPGs os prazeres da prática do RPG tradicional de mesa. Fica a sugestão.
11 de May de 2009 às 9:40 pm
Edson, você falou um negócio interessante, pode haver alguma falha sim na transmissão da cultura do RPG para a nova geração. Quanto ao evento de DD4, a ideia é boa, mas a adesão seria pouca, pois poucos conhecem RPG. Acredito que deva ter alguma comunidade especializada no orkut se movimentando pra isso. De qualquer maneira, vou divulgar no dia o lançamento.
11 de May de 2009 às 10:03 pm
Oi Pedro, tudo tranquilo?
Deixa eu te explicar o que está ocorrendo com a Devir e porque ela estar com problemas não tem nada a ver com o resto do mercado de RPG no Brasil.
Em 2006 a Devir foi pega pela Receita Federal sonegando impostos, importando cartas de Magic como livros, que são isentos de impostos, em vez de como brinquedos. Como resultado, vem sendo procesada desde então e as cartas de Magic e a Devir ficaram marcadas pela Alfândega ? a editora vem tendo dificuldades em importar produtos desde então.
Como Magic respondia por uma grande parcela da receita da Devir, ficar sem importar fez a saúde financeira da empresa ir pras cucuias. Por isso eles entraram agora em um processo conhecido como down-size ? eles estão encolhendo para cortar custos.
Aí vai demissão de funcionários (Caco e D3, só pra citar os conhecidos), remanejamento dos restantes, que acabam acumulando funções(o Otávio, gerente de importação, virou também editor de D&D, em outro exemplo) e também o cancelamento do EIRPG, que sempre deu prejuízo, segundo o próprio Douglas Quintas Reis.
E o resto do mercado? Vai muito bem obrigado. A Jambô segue fazendo lançamento atrás de lançamento das suas muitas linhas (Mutantes & Malfeitores, 3D&T, Tormenta, Reinos de Ferro, Aventuras Fantásticas, etc). A revista de RPG Dragonslayer, da editora Escala, já chegou no seu número 24. E outras editoras nacionais continuam lançando títulos (mesmo que na maioria ruins).
Lá fora, a Wizards aparece constantemente na lista dos mais vendidos da Amazon.com e até mesmo de jornais conceituados como o Wall Street Jornal, onde o Player’s Handbook 2 estreou em 4 lugar na lista dos mais vendidos da categoria não-ficção.
As outras editoras gringas também não ficam atrás. Green Ronin é sucesso de público e critíca, White Wolf consegue esgotar livros ainda no pre-order e a Paizo tem seu arrasa-quarteirões, o Pathfinder RPG, vendendo bem e crescendo.
Isto não é um mercado em crise. Não existe crise. O que rola é uma crise de incompetência em empresas bem localizados.
11 de May de 2009 às 10:11 pm
No mais, o público que joga é grande e não existe a menor possibilidade de ‘extinção’ do jogo. O que rola, eu acho, é que público de RPG notou que é muito mais fácil permanecer na sua casa, sem se preocupar em pagar ônibus e o escambau pra jogar num evento ou loja quando pode muito bem jogar no conforta da própria casa e encomendar livros de RPG com frete grátis ou preço reduzido de lojas online como a Moonshados e a Jambô.
Só para você ter uma idéia, também, saca só o tamanho da blogosfera RPGísta neste agregador de genero: http://www.rpg.blog.br/
11 de May de 2009 às 10:20 pm
Obrigado pelo comentário Nume, é sempre bom ter a opinião de quem entende do assunto para enriquecer o debate. De qualquer maneira, ainda quero a opinião também dos leitores do Rio de Janeiro sobre o tema.
12 de May de 2009 às 1:10 am
Creio que o Nume tem razão. Não é que tenha diminuído drasticamente o número de jogadores de RPG. Aumentou foi o número de jogadores online, diminuindo os jogadores de mesa.
12 de May de 2009 às 2:20 pm
Pedro, o Rio de Janeiro não está fraco quanto ao RPG. O público nerd que joga RPG existe, o que falta são bons pontos de encontro no Rio de Janeiro. Fora a gibiteria no centro, não conheço mais nenhum.
Tudo que o Nume citou sobre blogs de RPG é verdade, escrevo a 2 anos sobre o tema (pra varia esqueci de pagar meu domínio, estou hoje fora do ar)e vi os poucos blogs de RPG aumentarem em quantidade considerável.
Não vou dizer que o RPG é tão popular quanto antigamente Pedro, mas nem de longe ele tem como acabar. O que eu sinto falta é de um evento de RPG no Rio de Janeiro, isso sim faz falta.
13 de May de 2009 às 9:59 pm
Sou do Rio e sinto falta de jogar RPG também. Antigamente tinham mais eventos, revistas e livros. Concordo com tudo neste post, mas felizmente nos comentários surgiram alguma esperança pro RPG.
Particularmente eu sempre fui fã de GURPS (em diversos cenários) e de RPG em computador ou videogame.
14 de May de 2009 às 12:03 am
Antigamente quando jogava mais fervorosamente procurávamos para nosso grupo jogadores BONS, sinto dizer que eram raros. Hoje somente buscamos JOGADORES, o adjetivo foi esquecido.
Tem gente que joga esses milhares de MMORPGs e acha que isso é RPG… falta muito para esses tomarem a pílula vermelha.
3 de November de 2009 às 3:34 pm
Olha, eu acho que o mercado de RPG está enfraquecido sim. Antes a gente tinha várias opções em sistemas. Mesmo que pequenas editoras lancem novos títulos, eu não os vejo nas lojas aqui em Brasília, coisa que a gente via muito, lá pelos idos de 1999, por exemplo. Mas mercado à parte, também compartilho a dúvida sobre o porquê do RPG não ser um jogo mais popular. Eu em várias ocasiões tentei “formar” novos jogadores, mas dificilmente alguém se firmava como jogador regular. Na verdade, agora na vida adulta, eu nem consigo convencer as pessoas a se reunir para a primeira sessão! Acho que é questão mais de interesse que de tempo. Uma sessão a cada 15 ou 30 dias, não vai fazer ninguém perder o emprego.