
Texto escrito por Lívia Jácome do blog Amanhã eu te conto.
Hoje em dia, muitos artistas defendem o direito de ter suas obras preservadas, evitado a assim a proliferação da mesma na internet. É muito fácil para quem ganha milhões e de repente perde alguns mil, por causa da pirataria reclamar, né? Estamos em pontas opostas, artistas e consumidor final, no meio um bando de gente que leva a maior parte do dinheiro. Mas onde quero chegar com isso?
Primeiro, sou viciada em seriados, assim como inúmeras pessoas ao redor do mundo. Gosto de descobrir novas séries, acompanhar bem uns 10 programas por temporada e escrever sobre isso. Só que não sou uma pessoa “privilegiada”, não moro nos EUA, local de onde vem a maior parte dos shows que assisto. Segundo, se por lá estreia um programa legal, eu tenho que esperar alguns muitos meses para que essa novidade chegue aqui, ou não. Exemplo, a 1ª temporada de United States of Tara, está sendo exibida, na FOX Brasil, apenas agora, quase um ano depois do fim da mesma ter sido transmitida nos país de origem. Um delay um tanto quanto grande. Tudo bem que as redes que transmitem os programas aqui no Brasil tentam diminuir o tempo, entre a temporada lá e a temporada aqui no Brasil, o canal Universal fez isso com House, mas mesmo assim não é suficiente. Além disso, é muito incômodo você ter que ficar a mercê do dia e dos horários da programação do canal de tv, visto que o tal Tivo (uma espécie de aparelho para gravar os programas que são transmitidos na televisão) nunca chegou por aqui. Ou seja, temos na internet acesso a milhares de sites e blogs brasileiros especializados em programas de tv que se fossem esperar a boa vontade da programação nacional iria ser ridículo para não dizer cômico.
Imagina quando o mundo inteiro já souber como termina Lost, o usuário de internet no Brasil (se não tivessem outros meios de ver o programa) iriam comentar sobre o último episódio, meses depois do ocorrido. Outro ponto, já difícil ficar se desviando dos spoilers acompanhando quase que simultaneamente, imagine com semanas e mais semanas de espera? É claro que quem produz os seriados quer ganhar milhões com isso e pagar seus caros atores e não perder nenhum centavo, muito pelo contrário, receber ainda mais. No entanto, se não fosse a popularização do programas pela internet, não teríamos esses aficcionados que existem hoje e compram/consomem diversos produtos oficiais, pois não é só de episódios que se vive uma série de tv, se fosse assim as novelas da Globo não existiriam, né? Já que elas são transmitidas “de graça”.
Outra questão importante, mesmo assim, eu ainda assino tv a cabo, mas quase não acompanho nada por lá, ou seja, estou gastando meu rico dinheirinho que poderia estar sendo investido em alguma maneira de comprar/assistir meus shows favoritos.
Alguns sites de canais como The CW já disponibilizam episódios completos de seus programas, no entanto se você tentar assistir receberá esse aviso: “Thank you for your interest in The CW. This service is currently available to viewers living in the United States” (Obrigado pelo seu interesse no The CW. Esse serviço está apenas disponível para usuários residentes nos E.U.A.). Ou seja, de nada adianta. O canal The CW é responsavel pela exibição de alguns fenomenos de audiência como America’s Next Top Model e Gossip Girl. Isso acontece com diversos outros sites de canais de televisão como ABC, Showtime e diversos outros. Resumindo, fica difícil não apelar para meios não muito corretos de se ver episódios.
Como, nós fãs de seriados no Brasil, faremos para podermos assistir aos nossos programas preferidos sem ter que esperar mais que o normal? Não sou contra pagar por um serviço ou produto relacionado a programas de televisão, muito pelo contrário acho adequado, mas aqui no Brasil não tenho nem escolha para isso.